Vícios privados, benefícios públicos e a economia da estrada de terra.

18 de October de 2009 at 11:09 pm | Posted in economia | 3 Comments

estrada blogNo último mês estava eu na estrada, de terra, entre Centenário e Santa Maria do Tocantins. Notamos que a estrada havia melhorado de um dia para o outro, numa sensível diminuição das “costelas”. Para quem não sabe, costelas são aquelas ondulações que se formam com o passar do tempo e dos carros, e que tanto tornam incô-ô-ôoo-moda uma viagem para a roça.

Estávamos ali matutando se o motivo seria uma chuva na noite anterior, quando, mais a frente na estrada, topamos um grande caminhão. Presas atrás da carroceria, iam sendo puxadas duas grandes rodas de trator, varrendo a estrada e levantando a poeira do chão.

O Luiz explicou: – Ele é quem está “quebrando” as costelas.

Eu, treinada em pensar que não há almoço grátis, mas que sempre há uns free riders de plantão, fui logo perguntando:
– Mas quem será que pagou por isso? Para quem ele está fazendo isso?

E o Luiz: – Ele está fazendo isso para ele mesmo.

Sim, simples assim. O motorista precisa dirigir o caminhão todos os dias na estrada. Ele próprio é um causador das costelas. E ele próprio é um interessado em que elas não se formem, para não prejudicar o veículo. Logo, teve a brilhante ideia de dirigir arrastando pneus presos à carroceria, quebrando as costelas formadas atrás de si e melhorando a estrada para o próximo dia e para os próximos motoristas.

3 Comments »

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

  1. […] | Tags: bens públicos, externalidades | Leave a Comment  Pode. Olha o exemplo da Luciana. Simples e direto. […]

  2. Minha cara,
    Com todo o respeito, isto não é nenhum puzzle. A teoria econômica básica já prevê isto. Um bem público cujo custo é menor que o benefício privado de UM único agente vai ser provido. O problema ocorre quando isto não acontece. Quando os custos são menores que o benefício social (soma de benefícios privados) e maiores que qualquer benefício privado individual, o mercado não oferta de maneira consistente este bem. Neste mesmo exemplo, deve-se discutir a quantidade ótima de quebra de costelas. Acredito que estas estão sendo quebradas em quantidade menor que o ótimo.

  3. Exatamente, professor! Não se trata de nenhum bicho de sete cabeças, e temos exemplos simples e cotidianos, como esse.

    É claro que existem bens que não serão ofertados consistentemente; mas esse não é um problema intrínseco ao bem, e sim um problema tecnológico. E é aí que entra o papel do entrepreneur…


Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.
Entries and comments feeds.

%d bloggers like this: