O grande roubo dos cassinos

9 de June de 2009 at 9:10 pm | Posted in legislação | 3 Comments

Em 30 de maio de 1946 Eurico Gaspar Dutra proibiu o jogo no Brasil. A decisão jogou por terra dois grandes empreendimentos que haviam sido completados em 1944: No Rio, o Quitandinha, e em Minas, o Grande Hotel de Araxá, ambos hotéis de alto luxo, destinados a se tornar verdadeiros paraísos dos jogos no Brasil.

Com a proibição, os hotéis se viram abandonados. O Grande Hotel de Araxá, fechado por muitos anos, funciona atualmente pela rede Ouro Minas, por concessão. O Quitandinha, que não conseguiu se manter como hotel, virou clube, e hoje é um condomínio que sobrevive de alugar suas já depredadas áreas comuns para seminários e eventos.

quitan

Quem passa por Petrópolis e tem a chance de conhecer o Quitandinha é tomado pela sensação angustiante de grandeza roubada. De fato, a inesperada proibição dos jogos roubou do cassino – então o maior da América Latina – seu futuro e sua glória. Os anos roubaram-lhe as cores e o brilho, mas a suntuosidade ainda está lá: os corredores de estrelas,  os móveis art decó, a pista de patinação no gelo, a gaiola onde outrora ficavam pássaros da Amazônia, o grande salão de jogos de cartas, cuja cúpula foi projetada para aumentar o som das fichas apostadas nas mesas.

Quem quer que ande pelos corredores vazios do Quitandinha imagina como, em 40, a vida hollywoodiana se passava naqueles salões, e como a prosperidade deste nicho de negócios foi castrada  em nosso país. Quem quer que olhe o lago com o formato do Brasil, construído na frente do hotel, se questiona como todo o investimento de uma vida pode se desmanchar no ar por uma proibição conservadora que até hoje vigora.

Que o conservadora seja propriamente entendido: roubando-se os cassinos, conservou-se o monopólio público, federal, da exploração dos jogos de azar. Hoje, a Caixa Econômica Federal anunciou que o misterioso ganhador da Mega-Sena que ainda não tinha retirado seu prêmio, finalmente apareceu, no último dia do prazo. Retirou seus 5 milhões.  Aparentemente o ganhador era um apostador tão contumaz que não chegou a conferir o bilhete, até ontem. Fosse uma loteria privada, tal fato seria tomado como exemplo do caráter viciante e degradante do jogo. Mas a loteria é federal: não ofende os bons costumes, nem a moral.

3 Comments »

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  1. Como uma pessoa que adora jogos de azar e está sonhando com uma viagem para Vegas, voto pró cassinos.

  2. O Quitandinha dá a exata sensação de desperdício do dinheir público. Hoje é um tipo de condomínio, degradado e decadente, apesar da suntuosidade da arquitetura. Em Punta ví dezenas de iates de brasileiros que vão até lá deixar milhares de dólares e Reais. Nos “cruzeiros” centenas de brasileiros embarcam apenas para usufruir das mesasde bacará, pôquer e da roleta que não para nunca…
    Aqui é o governo que “banca”. O lucro deve ser fantástico…

  3. Olá Luciana,

    Legal você ter interesse pelo assunto. Pesquiso o cenário que você cita há muitos anos, ainda vai ouvir falar, espero…Abraço!


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