Minha Casa, minha vida

14 de April de 2009 at 3:43 am | Posted in economia, programas governamentais | Leave a comment

Pouco se tem falado do novo Plano habitacional de Lula-Dilma. Muito em breve farei um estudo mais apurado. Mas vamos antes fazer uns apontamentos rápidos.

O Minha Casa, Minha Vida viabiliza a construção de 1 milhão de moradias para famílias com renda de até 10 salários mínimos, em parceria com estados, municípios e iniciativa privada.

Opa! Notem bem: construção! Logo que saíram as primeiras notícias do plano o pessoal ficou animadinho com as possibilidades de pagar prestações simbólicas e adquirir imóveis antigos. Não, não. Para isso já existem a Caixa e o excelente Sistema Financeiro de Habitação. A grande novidade do programa é fomentar a construção civil. E não é que o governo queira esconder isso. Não obstante a crise mundial ter surgido da bolha do mercado imobiliário norte americano, incentivada justamente pela expansão do crédito, o governo brasileiro, no melhor estilo keynesiano, está orgulhoso de “incentivar a economia”:

O Governo Federal está multiplicando esforços para dinamizar a indústria da construção civil. Por exemplo, com redução de prazos, exigências e procedimentos, os financiamentos às construtoras estão muito mais fáceis. O Minha Casa Minha Vida vai gerar oportunidades para pequenas, médias e grandes empresas da construção civil. São R$ 16 bilhões destinados à aquisição de projetos para construção de casas ou apartamentos para o público de renda familiar entre 0 e 3 salários mínimos, nos municípios com mais de 100.000 habitantes e nas regiões metropolitanas. R$ 12 bilhões destinados a subsidiar o financiamento de imóveis novos ou em construção/lançamentos, às famílias de renda de até 10 salários mínimos.

O Minha Casa Minha Vida vai gerar oportunidades. De fato. E as coisas são mesmo muito interessantes. Quando o setor empresarial ainda parecia ter o bom juízo de tomar medidas austeras e prudentes diante da crise, a Votorantim se destacou com um otimismo invejável: manteve a decisão de investir 1,6 bilhões na expansão de fábricas de cimento e argamassa, numa aposta mui acertada de que a bolha brasileira ainda não havia chegado em seu ponto de estouro. 

Nos últimos dois anos, os imóveis duplicaram ou triplicaram de valor. Nos últimos dois anos, uma nova construção surgiu em cada esquina. Quem comprou qualquer quarto-e-sala até agosto de 2008 sabe que pagou um absurdo, uma coisa irreal, inimaginável. Mas a questão que fica para mim é a seguinte: agora que ficou fácil para quem tem renda de até 10 salários mínimos comprar um imóvel novinho, que será dos velhinhos?  E dos aluguéis? Burst de velhos, boom dos novos: eis o grande cisma do mercado imobiliário…

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