Você acha que é justo?
4 de February de 2010 at 5:33 pm | Posted in libertarianismo | Leave a comment“Você acha que é justo as pessoas de uma pequena cidade não terem acesso a celular enquanto as grandes possuem?”
Hoje é essa a pergunta que fazem os defensores do Estado Necessário – nem o mínimo, nem o máximo, mas aquele regulador que corrige as falhas do mercado.
Em outros tempos de nosso Brasil a discussão vigente era ser justo o norte e o interior do Brasil ficar desprovido de mão-de-obra, uma vez que, proibida a escravização de índios, poucos eram os que forneciam escravos negros para além do litoral. A corte resolveu o problema colocando cláusulas para que as companhias concessionárias que exploravam o comércio de drogas do sertão tivessem a obrigação de fornecer um número x de escravos para as regiões prejudicadas. Era o Estado necessário agindo em interesse de seus cidadãos desfavorecidos. Você acha que é justo?
A pergunta inicial poderia ser reformulada nos seguintes termos: “Você acha que é justo alguém ser obrigado a fornecer a outrem o seu trabalho?”.
O escravo era obrigado a fornecer seu trabalho. As companhias eram obrigadas a uma atividade comercial: fornecer escravos. A ideia que justificava essa situação era de que a vida do escravo não era dele. A atividade também não era das concessionárias. As duas coisas só eram possíveis porque o dono permitia e os termos dessa permissão, claro, cabiam a ele.
Hoje o dono continua dono. Nada pertence a nós que não seja dado por ele. O dono distribui como lhe convém as concessões para comunicar. O dono libera o que convém para podermos consumir. O dono retira o que lhe convém do nosso trabalho. Para alguns esse dono é necessário, porque se formos nosso próprio dono, o mundo será injusto.
Você acha que é justo?
Freedom cannot be divided.
3 de February de 2010 at 12:27 pm | Posted in libertarianismo, Política | 2 CommentsÉ a conclusão a que chega o Legatum Prosperity Index de 2009:
“While some nations seek to allow one aspect of freedom while restricting other aspects, prosperous nations respect freedom in all of its dimensions: economic, political, religious, and personal.”
Porque o utilitarismo não é suficiente:
3 de September de 2009 at 3:15 am | Posted in libertarianismo | Leave a comment
I knew about Law but did not know the laws…
26 de July de 2009 at 2:32 pm | Posted in libertarianismo | 1 CommentComentário de um ex-aluno da faculdade de direito de Harvard:
“While I may have learned how to ‘think like a lawyer’ at Harvard, I had few concrete thoughts. I did not know, for example, the different degrees of murder, and for how many years in prison one could be sentenced for each. I did not know when a contract had to be in writing and when it could be oral. I did not know when a bank was liable for a forged check. In short, I knew about Law but did not know the laws.”
Sentiram alguma semelhança com a UFMG?
Por que fundar o Libertários?
10 de June de 2009 at 10:44 pm | Posted in libertarianismo, Política | 2 CommentsTenho anunciado, há mais de um mês, a contagem regressiva para a fundação do partido Libertários, que será realizada no dia 20 de junho, aqui em Belo Horizonte. Em razão da proximidade do grande dia, alguns amigos têm me perguntado algo que gostaria de responder aqui – “Não é contraditório, uma vez que os libertários são contra o Estado, fundar um partido político?”.
A resposta passa por dissecar algumas ideias contidas nessa questão. Primeiramente, é preciso esclarecer que o libertarianismo é uma filosofia política que possui fundamentos os mais diversos: psicológicos, morais, éticos, econômicos, jusnaturais, biológicos. Cada um desses fundamentos origina uma corrente distinta. Mas todos esses fundamentos vão confluir para o seguinte preceito: toda sociedade deve ser baseada na cooperação voluntária entre indivíduos. Ou, fazendo um giro para o individualismo metodológico, um indivíduo não deve coagir ou ser coagido pelo outro. Se porventura a coerção ocorre, é válido ao indivíduo defender-se e obter reparação, na medida em que foi ofendido. É o princípio da não-iniciação da agressão.
Isso leva a conclusão inevitável de que o Estado, com as suas características essenciais, surge de um preceito contrário – o de que a sociedade pode ser baseada em relações não voluntárias, ou, em outras palavras, que o indivíduo pode ser coagido ou coagir o outro. A validade e a extensão deste coação variou e varia ao longo do tempo e da história – surgiu, por exemplo, a noção de que esse poder coercitivo seria dado a um indivíduo pelo direito, o que o legitimaria. Este seria o indivíduo representando o poder de estado – o poder público, o nos limites e conforme a lei.
Não é preciso esforço para observar que o preceito adotado por quase todas as sociedades é o segundo. A coerção legitimada é aceita por grande parte das pessoas, que veem a primeira opção como “utópica”. Basicamente, é uma questão de ideias. É particularmente interessante observar que as mesmas pessoas que hoje reputam a teoria libertária como utopia, vivenciam, grande parte do tempo, a sociedade plenamente voluntária e cooperativa: quando compram uma verdura na feira, quando resolvem uma pendenga com o vizinho, quando criam regras para seu condomínio, quando contratam serviços de segurança, quando decidem se associar a outras pessoas. Em uma considerável parcela de interação social, portanto, as pessoas não estão agindo porque o Estado assim as coage. Estão agindo cooperativamente, porque são seres sociais. E isso é algo que deve ser bem entendido: o libertarianismo não presta ao Crusoé, mas à vida do indivíduo em sociedade.
Deste modo, se o caráter coercitivo do Estado é inegável, igualmente inegável é que o Estado apenas se sustenta por um consenso estranhamente esmagador. Talvez as pessoas se revoltem contra uma ou outra medida. Mas não é comum vermos por aí pessoas que se revoltam contra o poder público, como um todo. Não vemos grupos de “cooperativistas” revoltosos agirem violentamente contra o grupo de “estatistas”. Normalmente, o que ocorre de mais extremo são situações de guerra civil, mas que não refletem nunca voluntaristas e estatistas, e sim grupos que querem se apropriar da legitimidade coercitiva em determinada sociedade, em detrimento dos outros.
É nesse cenário, portanto, que estamos. E o que é peculiar aqui é que os libertários acreditam objetivamente na liberdade, e, subjetivamente, nas escolhas individuais. Ora, se o estado aí está por consenso, e este consenso é nada mais que uma ideia, o que pode ser feito? A resposta está em outra coisa também muito cara aos libertários: o empreendedorismo. Por um lado, precisamos empreender nossas idéias. Precisamos demonstrar que a sociedade cooperativa é possível e é louvável. Por outro, precisamos empreender ações práticas, que servem como exemplos complementares.
Em geral, temos sido péssimos empresários de idéias. Elas são boas, mas ainda não alcançaram o grande público. Temos um problema logístico. Quanto a isso, várias iniciativas podem e estão sendo feitas: blogs, debates, livros, arte – e acredito que, com esforços descoordenados de vários libertários pelo mundo, uma dia podemos chegar a ter a preferência das pessoas. Mas é preciso, além das ideias, empreender exemplos práticos. E sabemos que isso não pode vir de uma revolução libertária. É preciso compreender que os mecanismos democráticos são considerados a legítima arena do debate e da ação política. E é dentro desses mecanismos que temos a possibilidade de demonstrar, ainda que em minúsculas ações, a validade das nossas ideias.
É certo que não esperamos que o Brasil se torne o paraíso anarco-capitalista com o partido Libertários. Mas esperamos que o partido possa lograr que nossa sociedade dê passos marginais em direção à liberdade: seja pela revogação de uma lei municipal, que, como a de Belo Horizonte, impede os estabelecimentos comerciais de trabalharem 24 horas, ou, a norma mineira que estabelece os modos de se fazer o queijo Canastra. Ou o fim do regime de concessões do transporte intermunicipal, que mantém privilégios para empresas historicamente ligadas ao poder público, e cujo fim faria o preço das passagens caírem vertiginosamente, desonerando os consumidores. Se pudermos dar pequenos passos como esse, já nos consideraremos grandes empreendedores políticos da causa libertária.
Propriedade no Paraíso
17 de April de 2009 at 3:40 am | Posted in libertarianismo | Leave a commentOntem, o capítulo da novela Paraíso, da Rede Globo, exibia a seguinte cena: o bom prefeito da fictícia cidade de interior, sócio de dois rapazes da capital na montagem de uma rádio local, se prepara para a chegada do ilustre engenheiro que irá construir a torre de transmissão de seu novo negócio. O engenheiro chega à cidadela de helicóptero, e é recebido pela multidão de caipiras curiosos. Preocupado com a segurança de sua máquina, ele é acalmado pelo Prefeito: “Não se preocupe que eu já mandei os guardas da prefeitura ficar aqui de vigia!”.
A cena não foi feita com o intuito de apontar uma atitude desonesta ao prefeito. Pelo contrário, era uma cena trivial de uma atitude trivial que passou despercebida de tão amplamente aceita. Mas, analisada, retrata um sério problema da nossa sociedade. Ela demonstra como o conceito de direito de propriedade é raso em nosso imaginário coletivo. Há uma grande facilidade em se aceitar a apropriação de bens alheios. No caso, o prefeito se apropria de um bem de propriedade comum – a segurança – para dar ao engenheiro que lhe prestará serviços pessoais. Esquece-se, entretanto, que toda apropriação implica uma expropriação (exceção, claro, aos bens abandonados ou nunca utilizados), seja ela exercida sobre um bem em comum ou sobre um bem privado. Em Paraíso, o prefeito expropriou o povo. Mas ninguém pareceu importar.
O melhor combate é não combater…
16 de April de 2009 at 2:39 am | Posted in libertarianismo | 1 CommentHoje, no evento “Minas Combate a Crise”, ouvi de Humberto, meu colega de Fundação e Assembleia, a melhor explicação para o fato do liberalismo não “colar”. Para ele, o problema com o liberalismo econômico é que, diante de uma crise, não fazer nada parece irracional, pois o homem se acostumou, desde o iluminismo, com a ideia de que deve agir para resolver seus problemas. Não agir é esperar a mágica e deste modo os mecanismos de mercado soam supersticiosos.
Faz sentido. Bastante. Talvez agora eu preste mais atenção nisso, e ao invés de panfletar que o melhor combate à crise é não combater, adicionarei ao fim da frase o advérbio “coletivamente”. Ou “governamentalmente”. Pois não é que nós queiramos que as pessoas fiquem inertes e esperem alguma providência divina. Para nós, os mercados são as pessoas. Se por alguma nova ocorrência torna-se necessário combater uma situação desfavorável, (isto é, agir, no sentido praxeológico do termo), apenas defendemos que seja um combate individual – cada qual com suas escolhas, com seu conhecimento, com suas soluções.
Ado! A-ado! Liberdade no quadrado!
30 de March de 2009 at 4:33 am | Posted in inutilidades, libertarianismo | Leave a commentCada um no seu quadrado – Eis a musiquinha que logrou aquilo que os liberais vêm tentando há séculos: colocar sua doutrina política da boca do povo.
Estranhamente, a ideia veio de estudantes da USP. Mas tudo bem: a letra é uma ode libertária, uma coisa linda. No melhor estilo Rothbardiano, podemos dela deduzir a auto-propriedade – “cada um”, os direitos de propriedade – “seu quadrado!”, e o princípio da não iniciação da agressão: – “cada um no seu quadrado!”. Per-fei-to! Ainda, avançando na gravação de Sharon, temos a teoria punitiva-retributiva: “E quem pisar na linha vai pagar prenda, hein?”
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