Vícios Privados, benefícios públicos e a economia da preservação das espécies silvestres
19 de October de 2009 at 3:42 pm | Posted in economia | Leave a commentHá solução de mercado para a preservação das espécies raras e em extinção?
Aproveitando o ensejo do post anterior, confiram a matéria do Sebrae:
“Animais silvestres e exóticos: artigos cada vez menos raros”
Com direitos de propriedade e liberdade para o produtor criar, reproduzir e vender animais silvestres, em pouco tempo o risco de extinção estaria superado. Ou alguém aí já ouviu algo sobre caça predatória de vacas?
Vícios privados, benefícios públicos e a economia da estrada de terra.
18 de October de 2009 at 11:09 pm | Posted in economia | 3 Comments
No último mês estava eu na estrada, de terra, entre Centenário e Santa Maria do Tocantins. Notamos que a estrada havia melhorado de um dia para o outro, numa sensível diminuição das “costelas”. Para quem não sabe, costelas são aquelas ondulações que se formam com o passar do tempo e dos carros, e que tanto tornam incô-ô-ôoo-moda uma viagem para a roça.
Estávamos ali matutando se o motivo seria uma chuva na noite anterior, quando, mais a frente na estrada, topamos um grande caminhão. Presas atrás da carroceria, iam sendo puxadas duas grandes rodas de trator, varrendo a estrada e levantando a poeira do chão.
O Luiz explicou: – Ele é quem está “quebrando” as costelas.
Eu, treinada em pensar que não há almoço grátis, mas que sempre há uns free riders de plantão, fui logo perguntando:
- Mas quem será que pagou por isso? Para quem ele está fazendo isso?
E o Luiz: – Ele está fazendo isso para ele mesmo.
Sim, simples assim. O motorista precisa dirigir o caminhão todos os dias na estrada. Ele próprio é um causador das costelas. E ele próprio é um interessado em que elas não se formem, para não prejudicar o veículo. Logo, teve a brilhante ideia de dirigir arrastando pneus presos à carroceria, quebrando as costelas formadas atrás de si e melhorando a estrada para o próximo dia e para os próximos motoristas.
Poupança, de novo.
4 de June de 2009 at 3:29 pm | Posted in economia | Leave a commentO G1, depois de publicar uma matéria completamente distorcida sobre os motivos governamentais para baixar os rendimentos da poupança, o que comentei por aqui, resolveu se adequar à minha teoria. Confira!
O temor do Ministério da Fazenda, e do BC, é que o rendimento da poupança, com a queda dos juros, passe a ser maior do que o ofertado por outras modalidades de renda fixa. Com isso, haveria mais dificuldade de o Tesouro Nacional vender seus títulos públicos, pois os grandes investidores poderiam buscar diretamente a poupança. O problema é que o governo depende da emissão de novos títulos para pagar aqueles papéis que estão vencendo. É a chamada “rolagem” da dívida pública. Os juros básicos da economia brasileira, que terminaram 2008 em 13,75% ao ano, já recuaram para 10,25% ao ano em abril de 2009 – o menor patamar da história. A expectativa do mercado financeiro é de novas quedas na taxa de juros no decorrer deste ano, que chegaria ao fim de 2009 em 9% ao ano. Ou seja, abaixo de 10% também pela primeira vez na história do país.
A Economia da República Velha
15 de April de 2009 at 4:36 am | Posted in economia, escola austríaca, programas governamentais | 2 CommentsSou antiga e no meu tempo ainda existiam séries. No meu tempo, na quinta série, estudávamos as antigas civilizações: Ramsés, Tutancâmon e múmias em geral, daí partíamos para Grécia antiga e Roma. Na sexta, após as invasões bárbaras, era a vez de estudar de modo bimestral a Idade Média, o Renascimento, o Absolutismo e as Grandes Revoluções. Apenas na sétima série é que nos concentrávamos em história do Brasil, mais precisamente a história da república, pois o que havia para trás consistia não mais que subtópicos dos grandes temas do ano anterior. Estudando a formação da república, ganhávamos, também, as primeiras noções de políticas macroeconômicas. Certo é que antes, no império, já havíamos nos encantado com o protecionismo, nos alegrado pela tarifa Alves Branco, nos enfurecido com a Silva Ferraz e o pobre destino do Barão de Mauá – mas isso tudo era ainda resquício de mercantilismo. Política macroeconômica nos moldes modernos, só mesmo na República.
O que é particularmente interessante e merecedor de comentário a este respeito é que, logo no início do ano letivo, ao estudarmos a República Velha, a primeira lição que aprendíamos sobre políticas macroeconômicas é que elas são intervenções de políticos no mercado, e que, portanto, ocasionam efeitos imprevistos, normalmente contrários do que se esperava obter. Ou, no vocabulário mais apropriado que mais tarde tomei de Ludwig Von Mises – intervenções são “inúteis, supérfluas e prejudiciais”. Mas voltemos à sétima série. Na sétima série nos ensinam que tão logo empoderado Deodoro o governo iniciou uma política emissionista e inflacionária com o objetivo de aumentar o crédito e incentivar o desenvolvimento da economia brasileira para além da tradição agrícola. E a grande lição que aprendemos é que a expansão de crédito para fins desenvolvimentistas é uma política que não funciona. Ou alguém se lembra de algum professor, de algum livro-texto sequer, olhar com bondade para o ato do então ministro Rui Barbosa – o homem mais inteligente do Brasil – ao promover o encilhamento? Não. Na sétima série todos nós entendíamos perfeitamente que expandir o crédito causa malinvestment-inflação-bolha-crise-recessão – e não desenvolvimento econômico. Na sétima série éramos todos economistas austríacos.
Outra grande lição econômica da República Velha nos vinha do Convênio de Taubaté. Na sétima série, atentos aos incentivos em jogo para os atores políticos e econômicos, percebíamos claramente porque o bailout é outra política que não funciona. O Brasil estava em crise, os cafeicultores à beira da falência, e a nação cobrava medidas governamentais – o governo atende, decidindo manter artificialmente os preços, comprando os ativos podres da época: as sacas de café. Na sétima série a gente já conseguia antever que tudo o que uma política dessas podia resultar era a continuidade dos malinvestments e o endividamento do estado. E não é que foi isso mesmo? Está lá, em todos os livros de história da sétima série: tão grande foi a crise posterior ao bailout do café que o ciclo chegou ao fim – o fim da República Velha.
Foi o fim também para as nossas grandes lições de economia. Vieram Vargas e o Estado Novo, e com Vargas e o Estado Novo mudaram as leis econômicas para o resto das nossas aulas de história. Após Vargas há um giro epistemológico quase inexplicável. Depois dele, os livros e os professores ensinam que bom mesmo é o desenvolvimentismo, bom mesmo são as empresas estatais, as expansões, os incentivos, as intervenções. No início, estranhamos. Mas pouco tempo depois nós alunos da sétima nos acostumávamos. Afinal de contas, as leis econômicas da República Velha não poderiam servir a um Estado Novo. Especialmente um Estado Novo que nasce junto com John Maynard Keynes.
Minha Casa, minha vida
14 de April de 2009 at 3:43 am | Posted in economia, programas governamentais | Leave a commentPouco se tem falado do novo Plano habitacional de Lula-Dilma. Muito em breve farei um estudo mais apurado. Mas vamos antes fazer uns apontamentos rápidos.
O Minha Casa, Minha Vida viabiliza a construção de 1 milhão de moradias para famílias com renda de até 10 salários mínimos, em parceria com estados, municípios e iniciativa privada.
Opa! Notem bem: construção! Logo que saíram as primeiras notícias do plano o pessoal ficou animadinho com as possibilidades de pagar prestações simbólicas e adquirir imóveis antigos. Não, não. Para isso já existem a Caixa e o excelente Sistema Financeiro de Habitação. A grande novidade do programa é fomentar a construção civil. E não é que o governo queira esconder isso. Não obstante a crise mundial ter surgido da bolha do mercado imobiliário norte americano, incentivada justamente pela expansão do crédito, o governo brasileiro, no melhor estilo keynesiano, está orgulhoso de “incentivar a economia”:
O Governo Federal está multiplicando esforços para dinamizar a indústria da construção civil. Por exemplo, com redução de prazos, exigências e procedimentos, os financiamentos às construtoras estão muito mais fáceis. O Minha Casa Minha Vida vai gerar oportunidades para pequenas, médias e grandes empresas da construção civil. São R$ 16 bilhões destinados à aquisição de projetos para construção de casas ou apartamentos para o público de renda familiar entre 0 e 3 salários mínimos, nos municípios com mais de 100.000 habitantes e nas regiões metropolitanas. R$ 12 bilhões destinados a subsidiar o financiamento de imóveis novos ou em construção/lançamentos, às famílias de renda de até 10 salários mínimos.
O Minha Casa Minha Vida vai gerar oportunidades. De fato. E as coisas são mesmo muito interessantes. Quando o setor empresarial ainda parecia ter o bom juízo de tomar medidas austeras e prudentes diante da crise, a Votorantim se destacou com um otimismo invejável: manteve a decisão de investir 1,6 bilhões na expansão de fábricas de cimento e argamassa, numa aposta mui acertada de que a bolha brasileira ainda não havia chegado em seu ponto de estouro.
Nos últimos dois anos, os imóveis duplicaram ou triplicaram de valor. Nos últimos dois anos, uma nova construção surgiu em cada esquina. Quem comprou qualquer quarto-e-sala até agosto de 2008 sabe que pagou um absurdo, uma coisa irreal, inimaginável. Mas a questão que fica para mim é a seguinte: agora que ficou fácil para quem tem renda de até 10 salários mínimos comprar um imóvel novinho, que será dos velhinhos? E dos aluguéis? Burst de velhos, boom dos novos: eis o grande cisma do mercado imobiliário…
Duas notícias. Ou: A grande confusão mental
10 de April de 2009 at 10:36 pm | Posted in economia | Leave a commentObama vê “sinais de esperança” na economia
Sex, 10 Abr, 03h50
WASHINGTON (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse na sexta-feira que está vendo “sinais de esperança” na economia norte-americana golpeada pela recessão, mas que ainda está sob estresse severo. “Nós ainda temos muito trabalho a fazer”, disse Obama a repórteres depois de um encontro com parlamentares e reguladores financeiros na Casa Branca. “Nós estamos começando a ver progresso.” (…) ”Ao longo das próximas semanas, vocês verão ações extras do governo”, acrescentou o presidente, sem dar mais detalhes.
EUA têm déficit orçamentário recorde
Sex, 10 Abr, 04h18
WASHINGTON (Reuters) – Os Estados Unidos apresentaram um déficit orçamentário recorde de 956,8 bilhões de dólares na primeira metade do ano fiscal de 2009, mais que o triplo do exibido um ano atrás, enquanto os gastos públicos com resgates financeiros e planos econômicos aceleraram, informou o Departamento do Tesouro nesta sexta-feira. No mês passado, o governo teve um déficit de 192,27 bilhões de dólares, recorde para o mês de março. O valor é quase quatro vezes maior que o déficit de um ano atrás, de 48,21 bilhões de dólares. As despesas de março saltaram para 321,23 bilhões de dólares, incluindo gastos de 46 bilhões de dólares para injetar capital nas financeiras do setor imobiliário Fannie Mae e Freddie Mac, controladas pelo governo, e 10,6 bilhões de dólares para benefícios do Estado a desempregados. Em março de 2008, as despesas não passaram de 227,02 bilhões de dólares. Os gastos de março foram maiores, mas o governo federal deslocou cerca de 15 bilhões de dólares em benefícios para o mês de fevereiro porque 1o de março foi um domingo. As receitas de março caíram drasticamente, à medida que a economia deteriorada diminuiu as receitas em impostos de pessoas e empresas. Elas caíram 28 por cento no último mês, para 128,96 bilhões de dólares, ante 178,82 bilhões um ano antes. Somando-se à ajuda de capital para a Fannie e Freddie, o governo comprou 17,38 bilhões de dólares em títulos de hipotecas de empreendimentos custeados pelo governo, marcando um montante de 119,2 bilhões de dólares na primeira metade do ano fiscal de 2009, iniciado em outubro.
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